SARILHOS PEQUENOS

História
Com origem provável no século XVI, o pequeno núcleo urbano de Sarilhos Pequenos desenvolveu-se em estreita relação com o rio. Ainda hoje enquadrado por extensas unidades agrícolas que espartilham o seu crescimento urbano, condicionando-o a uma actividade agrícola e salineira. Foi, no entanto, o transporte de produtos nos botes, varinos e fragatas entre as duas margens do Tejo que garantiu a economia da povoação até à década de 60.
PATRIMÓNIO
Estaleiro
O Estaleiro de Sarilhos Pequenos deve ascender ao século XIX. O seu actual proprietário, Jaime Ferreira da Costa descende de uma família de mestres de estaleiro e orgulha-se de no seu estaleiro terem sido recuperadas embarcações como o varino Afonso de Albuquerque, o varino da Câmara Municipal do Seixal e, construído de raiz, o iate do Sado, o Setubalense. Nos tempos áureos das décadas de 40 e 50 chegaram a trabalhar aqui mais de 50 homens, entre calafates, carpinteiros de machado e serradores. Estes profissionais dos estaleiros, quando abandonaram a actividade, deixaram as suas ferramentas guardadas no local de trabalho, pelo que se pode hoje encontrar aqui um rico espólio ligado à construção naval.
Inicialmente vocacionado para a construção e reparação de barcos característicos do rio Tejo, a actividade do estaleiro de Sarilhos Pequenos incide hoje na reconstrução de barcos velhos, tais como veleiros, iates e outros. Embora entre os seus clientes se contem muitos portugueses, são, no entanto, os estrangeiros que mais solicitam o seu trabalho.

QUINTA DO ESTEIRO FURADO
Destaca-se, pela sua grandiosidade, a Quinta do Esteiro Furado, onde ainda hoje podemos ver o que resta do palácio, da capela de S. Geraldo, fundada em 1600, da torre de tipo senhorial com a insígnia da Ordem de Santiago, das levadas de água, do moinho de maré e do porto privado onde os produtos eram embarcados para Lisboa.

URBANISMO
Todo o crescimento que se operou no sentido do esteiro traduz uma forma urbana e uma tipologia de edificação própria de uma povoação ribeirinha das margens do estuário do Tejo: uma cozinha, um quarto de dormir e uma sala comum com porta e uma ou duas janelas. A malha urbana de Sarilhos Pequenos, em estrela, com as ruas a desembocar num largo central e com o rio nas traseiras, tinha por função proteger as casas dos ventos desagradáveis de norte. Por outro lado, é notória a existência de ruas/caminhos que acabam radicalmente em portões de quintas, nas salinas, na área de embarque ou no estaleiro naval.
A dimensão e estrutura da organização morfológica de Sarilhos Pequenos, com grande generosidade de espaços públicos, levam a admitir que já teve maior importância do que aquela que hoje traduz. A decadência das actividades ribeirinhas, assim como a situação excêntrica aos actuais fluxos e eixos de ligação viária e, também o declínio e subaproveitamento das unidades agrícolas confinantes devem-se procurar entre os factores mais importantes do envelhecimento e fraca vitalidade de Sarilhos Pequenos.
Na povoação, podem observar-se as casas antigas, tradicionalmente pintadas com cores garridas e com redes de pesca nas portas principais.
Actividades económicas: Estaleiro Naval, agricultura e comércio.

Festas e Romarias: Festa da Padroeira (26 de Setembro) e Nossa Senhora da Graça (de 27 de Setembro a 2 de Outubro).
Gastronomia: Caldeirada à fragateiro.
Artesanato: Miniaturas de barcos típicos em cortiça e em madeira.
Orago: Nossa Senhora da Graça.

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